O domingo foi destinado exclusivamente ao setor El Cubo. Entramos em uma via não identificada no guia, ao lado da Cachupin, provavelmente um 5.9, como a própria Cachupin, onde entramos depois. Para fechar o dia, Claudio guiou a Cabro Culiao (5.10d), desceu e foi para outra com Hans e as meninas, eu falei que não escalaria mais. Julio começou a puxar a corda. Falei mais um vez que não escalaria e ele teria que recolher as costuras. Perguntei se tinha certeza que guiaria aquela via. Essa foi a frase do dia, “Tem certeza?”.
– Não vim aqui só pra participar! – e continuou puxando a corda.
– Então, tá!
Preparei sua segurança e Julio começou a subir, foi bem até a terceira proteção, antes da quarta bombou… Queria descer, falei que ele não tinha ido só participar e ficou lá em cima. Descansou e continuou. Bombou novamente, tentou mais alguma vezes, olhou com uma cara chorosa pra baixo, tive pena e o desci… Dizendo que ele teria que voltar, pois avisei que não escalaria novamente. Descansou, refletiu, pediu pra eu subir… Falei que não escalaria. E lá foi ele. Chegou até onde havia guiado e foi parando a cada costura até chegar em um buraco à três proteções da parada. Tentou por um lado, voou, tentou pelo outro, voou novamente, tentou pelo meio e nada. A a essa altura já devia estar por cerca de uma hora na parede, sob um sol de fazer inveja ao verão carioca. Eu fazia a sua segurança da sombra de uma gruta. Finalmente, depois de mais de uma hora na via e com as costas ardendo do sol, desci o teimoso e subi para retirar as costuras. Cheguei com corda de cima até onde ele havia voado algumas vezes e guiei o restante até a parada. Desci e falei pra ele aprender a ouvir os mais velhos 😀
Ao lado ocorriam cenas dignas de registros. Estávamos em um ponto mais alto do setor, ao lado Hans subia um via também difícil. O engraçado é que só o víamos quando estava no crux… Do nada surgia aquele capacete alemão se tremendo todo, subia mais um pouco e voava. Minutos depois lá vinha novamente a britadeira alemã, subia mais e voava. A terceira e última tentativa foi a mais espetacular. O capacete trepidador apareceu, subiu mais que nas duas tentativas anteriores sem chegar na proteção seguinte e vacou lindamente. Depois dessa não quis mais. Não lembro quantas vezes repeti essa história, fazendo a alegria do restante do grupo. Mas a vingança do alemão viria, bem fria, no dia seguinte… 😀
Cadê o grampo???
Bobeou a gente pimba!
Anne
El Cubo
Bruta
Surra
Nossos alemães voam melhor que os outros
Julio no Bronze
Sol partindo
38 anos!
Casa nas costas, bôra!
Las Chilcas pode ser comparada à uma Urca chilena, em menor proporção. A facilidade de acesso e a quantidade de vias atrai muitos escaladores. Mas não há muitas vias abaixo do nosso 7º grau, o que não torna o lugar tão democrático quanto a Meca Carioca. Nossa ideia inicial seria passar três dias por lá. Em dois dias achamos que já estava de bom tamanho. Claudio sugeriu que fôssemos esquiar no Valle Nevado. Aceitamos!
Segundo o motorista que havia nos deixado no dia anterior, os ônibus para Santiago só param nos pontos, chamados “paraderos”. Havia um mais próximo subindo a estrada e outro, mais distante, mas em um plano. Desmontamos as barracas, arrumamos as mochilas e partimos para o que fica na direção do Torofrut, mais distante. Uma hora depois chegamos ao ponto e esperamos mais uns 30 minutos pelo ônibus. Descemos ao lado de uma estação do metrô e seguimos para o hostel, depois de jantarmos em uma esquina próxima, lá pelas 21h.
A noite avançou pelo dia seguinte até a bebida acabar. Fomos dormir pensando na novidade que nos aguardava na segunda-feira.